Este blogue foi criado por duas alunas que frequentam o décimo primeiro ano no âmbito da disciplina História A. Os conteúdos que iremos abordar centram-se no Absolutismo Régio, na Hegemonia Britânica a partir da segunda metade do século XVII e na Revolução Liberal Francesa. Esperemos que apreciem o nosso trabalho.
sábado, 14 de maio de 2011
Afirmação de novas potências
Concentração Bancária e Industrial
Racionalização do trabalho
Os empresários, devido ao aumento da concorrência, tinham dois objectivos máximos – produzir com qualidade e a baixo custo. É neste contexto que nos surge o Taylorismo, nomeadamente, na obra “Princípios de Direcção Científica da Empresa” da autoria do seu criador, F.W.Taylor - na imagem. Este método trabalho consistia num sistema em que existia a divisão de tarefas e o funcionário deveria deter especialização na que estava a realizar. A cada um cabia somente uma tarefa. Na fábrica surgia o cronómetro devido ao facto de existir toda uma cadeia de produção. Os produtos deveriam ser realizados num curto e especifico tempo e passar rapidamente ao funcionário seguinte para ele elaborar a sua tarefa. O tempo encontrava-se articulado entre todos de maneira a que a produção nunca parasse. Em relação ao controlo do tempo existiam os turnos e um conjunto de capatazes que faziam de tudo para que os funcionários elaborassem a sua função o mais rapidamente possível. Além disso os períodos de almoço eram muito pequenos. De toda esta maquinação dos funcionários resultava uma produção maciça de objectos iguais, completamente estandardizados. Contudo, apesar de se tratarem os funcionários como máquinas e todos outros problemas envolvidos em torno deste método, os produtos em termos de qualidade, preço e quantidade agradavam em muito o mercado de massas. Assistimos assim a uma massificação dos produtos.Desenvolvimento dos transportes
O comboio era um desses transportes essenciais. Aparecido em 1830, as vias férreas compreendiam agora uma extensão monstruosa. A rede ferroviária na Europa era incrivelmente densa e demonstrava a forte industrialização vivida na Europa. Os progressos da mesma eram diferenciais das nações desenvolvidas, como Inglaterra, para as nações que começavam agora a ter as suas primeiras vias férreas, como Portugal. Esta rede compreendia uma forte densidade nos países industrializados pois era necessário que a produção nunca parasse de circular, logo, eram necessários investimentos nos transportes. Tudo isto acontecia nestas nações para se dar o escoamento dos seus produtos e a chegada das matérias-primas ser mais rápida, como referido no início do texto. Contudo, a estas ajuntava-se agora a necessidade de rentabilizar os investimentos ocorridos quer no fabrico dos produtos como nos transportes. Alcançava-se então o objectivo traçado, isto é, as viagens tornavam-se mais rápidas, baratas e seguras e mercadorias maiores eram mais facilmente transportadas. Todo este desenvolvimento das vias férreas e do comboio foi marcado também pela indústria siderúrgica, nomeadamente pelo aço, um dos componentes do mesmo.
Em relação aos transportes marítimos, os mesmos também sofreram diversas alterações. Os navios a vapor foram desenvolvidos, surgiu o ferryboat e as grandes empresas marítimas apareceram na mesma altura. Nomeadamente importante foi a navegação a vapor, que movimentou enormes capitais.
Novos sectores industriais e fontes de energia
Se na primeira revolução as principais fontes de energia foram o carvão o vapor, na segunda surge-nos o petróleo e a electricidade. No âmbito da descoberta de novas técnicas de refinação, novos horizontes foram descobertos para o aproveitamento do petróleo. Primeiramente, o mesmo era utlizado para pequenas coisas, como lubrificante e combustível. A sua verdadeira potencialidade foi apenas descoberta aquando do aparecimento do motor de explosão. Os derivados do petróleo tornam-se os verdadeiros combustíveis do futuro e o mesmo assume um papel fulcral nos transportes. Inicia-se de igual modo o aproveitamento da electricidade, devido a inúmeras invenções que permitiram a sua produção e transporte.
Em relativamente pouco tempo a electricidade substitui o gás na iluminação privada e pública. Aparecem invenções derivadas da mesma como o carro eléctrico, o metropolitano e a lâmpada de filamentos - na segunda imagem, a primeira, inventada por Thomas Edison. Devido à iluminação nas ruas, anteriormente sombrias, o perigo nas mesmas diminuiu, as pessoas podiam trabalhar até mais tarde o convívio entre as mesmas também sofreu uma melhoria. Devido á nova concepção de transportes deixaram de se utilizar os transportes urbanos de tracção animal. Foi uma das maiores conquistas da era industrial, assim como o petróleo. Apesar da contínua utilização do carvão e vapor, estas acabara por assumir um papel de destaque.
Se a primeira revolução industrial se apoiou na Indústria têxtil e metalúrgica, a segunda revolução investiu na indústria química e siderúrgica, essencialmente. Estes eram considerados sectores de ponta. A referida primeiramente foi a verdadeira indústria base de todo este desenvolvimento ocorrido. Ela forneceu uma vasta gama e novos produtos que impulsionaram mudanças sociais. Através da química surgiram os medicamentos - como a aspirina, na imagem, da empresa Bayer -, os corantes, os fertilizantes, os pesticidas e muitos mais. Além disso forneceu componentes essenciais a outros sectores. Relacionada com a Indústria Química surge-nos a Indústria Alimentar. A última origina o nascimento da congelação, das latas de conserva, dos caldos, – consumidos pela população mais pobre – entre outros.Contudo, o sector mais importante da 2ª revolução industrial foi o siderúrgico. Era a indústria de ponta nessa altura, a essencial para o desenvolvimento. Este fornecia máquinas, carris, locomotivas e outros aparelhos essenciais para as industrias e não só. O verdadeiro impulsionador da indústria siderúrgica foi o aço. Quando Bessemer descobre um conversor capaz de transformar o ferro em aço - na imagem acima - e uma forma rapida e barata, este tonou-se uma matéria essencial para este sector. Mais duro e, ao mesmo tempo, mais plástico que o ferro, as potencialidades do aço alargam o mercado para esta indústria, quer na produção de bens de consumo como na área da indústria pesada. O desenvolvimento do sector siderúrgico levou a alterações nos meios de transporte. O aço foi o principal responsável por esse desenvolvimento, sendo que, entre 1870 e 1914 a produção de minério de ferro aumentou espantosamente a nível mundial, nomeadamente nos EUA, principal produtor, favorecido pelas suas vastas jazidas. No próximo post falaremos sobre esta nova revolução nos transportes.
Ligação Ciência- Técnica

Expansão Industrial - Introdução

Após todas as inovações efectuadas na 1ª Revolução Industrial, em meados do século XIX sucedeu a 2ª Revolução industrial. Esta acaba por ser uma expansão da primeira, abordada anteriormente no blog no âmbito da Hegemonia Inglesa. Se na primeira revolução assistimos à hegemonia Inglesa, na segunda, potências como os EUA e a Alemanha ultrapassaram o país britânico. Surgiu a ligação entre a ciência e a técnica que levou a melhoramentos nos sectores industriais. Surgiam novas fontes de energia, como o petróleo e a electricidade. Os transportes também alcançaram um melhoramento notório. As fábricas debruçaram-se sobre novos métodos de trabalho para os seus funcionários, como o taylorismo, e o livre-cambismo encontrou o seu lugar ao sol, principalmente na Grã-Bretanha. O crescimento da actividade industrial e das trocas é uma consequência de todo este progresso. É de todas estas inovações que falaremos durante os próximos posts. A 2ª revolução industrial mudou o rosto do Mundo.
domingo, 20 de março de 2011
Outros factores propícios à Hegemonia Inglesa
Outras condições que originaram a Hegemonia Inglesa foram as condições políticas, militares, comerciais e ideológicas. O Parlamentarismo defendia o Fisiocratismo e o sistema das enclosures. A defesa desta teoria, levou a uma revolução agrícola que proporcionou imensas consequências favoráveis, nomeadamente o crescimento demográfico e a redução da taxa de mortalidade. Este ponto encontra-se melhor explicado no post da Revolução Agrícola. A promulgação dos Actos de Navegação de Cromwell foi extremamente importante sendo que apenas navios ingleses ou do país de origem do produto poderiam transportar mercadorias estrangeiras para a Inglaterra. Assim, os produtos de países estrangeiros perdiam quase todo o valor junto da populção, enaltecendo os nacionais. Também apenas a marinha britânica detinha o direito de navegação de cabotagem e de transportar para a Grã-Bretanha as mercadorias provenientes das colónias. Com estes actos a Inglaterra destronou a sua principal oponente, a Holanda.
A criação de Companhias de Comércio, como a Companhia das Índias Orientais, foi extremamente relevante para a hegemonia inglesa, sendo que a riqueza da última companhia era abundante e a das restantes era de igual modo considerável. As Guerras contra a França e a Holanda, nomeadamente a Guerra dos Setes Anos, foram várias e o país inglês saiu vitorioso de todas, demonstrando assim a sua magnificência. Outro factor extremamente essencial foi a criação da Grã-Bretanha, ou seja, a união de Inglaterra, Escócia e Irlanda, criando um mercado nacional mais alargado e propício à circulação dos produtos. O Tratado de ÉDEN entre Inglaterra e França, foi super relevante. Nesse fica estabelecido que a primeira transporta para a segunda lanifícios e ferragens em condições vantajosas.
Em último lugar, existiram as condições financeiras. A potência britânica detinha um sistema financeiro avançado devido ao seu desenvolvimento económico. Existia a Bolsa de Londres (Royal Exchange), que funcionava desde o final do século XVI. Primeiramente uma instituição privada, pertencia agora ao Estado e nela se contratava a dívida pública e se cotaram as primeiras acçoes da magnificiente Companhia das Índias Orientais. Na mesma existiam títulos de empresas industriais e acções do Banco de Inglaterra. A bolsa londrina era extremamente importante, sendo a responsável pelo alargamento do mercado de capitais. Em 1694 criou-se o Banco de Inglaterra. Este realizava todos as operações imprescendíveis para o comércio e emitia notas. Existiam ainda os country banks que realizavam em diferentes regiões as mesmas operações. Todo este movimento de capitais foi também proprício à Revolução Industrial, anteriormente explicada.
Todas Revoluções e factores apresentados ao longo destes quatro posts conduziram à Hegemonia Inglesa durante longos anos, séculos até. A Inglaterra era considerada a “oficina do mundo” devido ao seu esplendor, às suas inovações. Era o centro do mundo, da Economia, da Industrialização, do Comércio, de tudo. A Hegemonia Britânica era realmente mais do que magnificiente.
Hegemonia Inglesa - Revolução dos Transportes
A Revolução do sector dos transportes surgiu devido a imensos factores, nomeadamente devido à revolução industrial e à revolução agrícola. Estes eram necessários para o transporte das matérias-primas e dos produtos para exportação e as viagens deveriam ser cada vez mais rápidas, logo o seu desenvolvimento era crucial para o comércio inglês. Com a criação da comboio movido através da força do vapor, as trocas comerciais sofreram um impulso significativo, sendo que as mesmas eram assim mais rápidas, mais económicas e mais seguras devido à rapidez considerável do comboio em relação aos meios de transporte anteriores. De igual modo a aplicação da energia do vapor aos navios fez maravilhas. Também a criação de túneis e pontes estimularam o comércio britânico, sendo que ligavam todas as regiões inglesas e também as europeias. A rede de estradas foi de igual modo melhorada, sendo ampliada e vendo os seus problemas serem resolvidos. Sendo assim, o comércio nacional não tardou em se expandir, pois as deslocações eram muito mais fáceis e rápidas e as vias de comunicação existentes haviam sido melhoradas. Também o crescimento demográfico da população e da cidade de Londres, a inexistência de alfândegas internas e a união de Inglaterra com a Escócia e a Irlanda, proporcionaram ao mercado nacional um desenvolvimento considerável.
O mercado externo
Era dos mercados intercontinentais que os ingleses retiravam os maiores proveitos. Através dos navios de grande porte e resistência, a partir dos portos britânicos como os de Liverpool, Londres ou Bristol, praticava-se o denominado comércio triangular, sendo que os navios deixavam produtos como armas de fogo, tecidos e bebidas, como o rum, nos portos acima referidos, seguindo para África onde iam buscar os escravos que eram a mão-de-obra para as Américas, para onde iam seguidamente e de onde retiravam as denominadas produções tropicais que revendiam no comércio europeu. Tudo isto proporcionado pelo desenvolvimento dos transportes. Criaram-se varias companhias marítimas, como a Red Star Line, sendo a mais importante e mais rica a Companhia das Índias Orientais. Esta trazia dos países Orientais produtos luxuosos extremamente apreciados na Europa, controlando também o território e sendo a única proprietária das rotas e tráficos orientais. Também controlavam a agricultura asiática, dando produções limite aos agricultores e também impondo-lhes impostos e taxas. Por ultimo existiam as Country Trades – trocas locais – e os China Ships. As Country Trades eram basicamente o controlo exercido pelos ingleses entre as trocas comerciais entre países asiáticos. Já os China Ships era comércio realizado com a China em que o produto mais importado era o chá de Cantão, muito apreciado na Inglaterra, entre outros como as sedas. Assim, a revolução dos transportes contribui em larga escala para a afirmação do mercado inglês, quer interno, europeu, colonial ou intercontinental. Hegemonia Inglesa - Revolução Industrial
Outro dos factores que contribui em larga escala para a hegemonia inglesa foi a Revolução Industrial. Esta revolução iniciou-se em Inglaterra na segunda metade do século XVIII devido a inúmeros factores, influenciando a Revolução Agrícola, abordada anteriormente. Em primeiro lugar, o país inglês detinha ricos depósitos de ferro, carvão e água, o que se demonstrou essencial. Também as colónias eram ricas em matérias-primas, destacando-se nomeadamente a importância do algodão. Outros factores existentes foram as condições políticas – Parlamentarismo e preponderância da burguesia industrial –, as condições sociais, as condições económicas e as condições tecnológicas. Os landlords, por exemplo, utilizaram os lucros provenientes da agricultura para investir na Indústria. As indústrias impulsionadoras desta revolução foram a têxtil e a metalúrgica.
Com o aparecimento desta energia, a primeira artificial de sempre, transformações ocorreram no sector industrial e dos transportes. Tanto servia para mover máquinas industriais, como era muito importante para os meios de transporte. Uma máquina vapor realizava o trabalho de vários homens, fazia com que fosse possível as viagens serem mais rápidas, económicas e seguras, e a mercadoria transportada podia ser em maior número e mais pesada. A maquinofactura substituíra assim a manufactura. Antes praticava-se o Domestic System (manufactura) em que o local de trabalho era a oficina, os trabalhadores eram os artesoes, as fontes de energia eram a água, a força muscular e o vento e os instrumentos usados eram as ferramentas. A produção era pequena mas a qualidade elevada. Após a revolução industrial praticava-se o Factory System (maquinofactura) em que o local de trabalho eram as fábricas, os trabalhadores eram os operários, a principal fonte de energia era a do vapor, conseguida através do carvão e os instrumentos eram as máquinas. A produção era elevada sendo que, à medida que a quantidade aumenta, a qualidade diminuía. Surgiu assim a Burguesia Industrial, uma nova classe extremamente rica, estando no topo da sociedade e da politica.As "Cidades Industriais" e o Trabalho Fabril
confusas e ruidosas, e também demasiado perigosas, sendo que existia prostituição, bandidagem, mendicidade e alcoolismo. Nas cidades existiam também diversas doenças respiratórias e, a mais grave de todas, a tuberculose. Essas pessoas trabalhavam nas fábricas, sendo que as primeiras tinham más condições e eram muito perigosas, existindo na altura variados acidentes devido a inexperiência perante o uso da maquinaria. Nas fábricas o trabalho era cansativo, existiam más condições de trabalho, poucos intervalos para descansar, podiam acontecer danos físicos permanentes e o trabalho feminino e infantil era pouco renumerado em relação ao masculino. Nesta altura o trabalho das crianças era bem aceite pela população, sendo as mesmas necessárias nas fábricas pois quando alguma máquina avariava, devido à sua pequena estatura, poderiam resolver logo o problema. Era também frenquente serem limpa-chaminés.sábado, 19 de março de 2011
Hegemonia Inglesa - Revolução Agrícola
A partir da segunda metade do séc. XVII e até aos inícios do séc. XX, a Inglaterra foi a potência mundial com mais esplendor económico, o centro da Economia Mundo. Inúmeras condições, a todos os níveis, resultaram na sua superioridade perante os outros países. Era, sem margem para dúvidas, a nação com mais prosperidade económica, devido ao sector agrícola, industrial, comercial, bancário, entre outros. Durante os próximos posts falaremos das razões que ditaram a sua íncrivel Hegemonia.
Apareceram novas técnicas agrícolas e métodos de cultivo inovadores, como o afolhamento trienal ou quadrienal, que evitava o pousio e renovava a terra, alternando as colheitas de cereais com as de leguminosas e também cultivando as plantas forrageiras como o nabo e o trevo. Outra inovação foi a drenagem de campos. Os dito cujos eram drenados através de calcário ou argila, que os secava, nascendo dos antigos pântanos terras férteis propicias à agricultura. Também bosques e florestas foram dizimados para serem utilizados como terrenos agrícolas. Introduziram-se novas culturas, passando-se a fazer a selecção de sementes e das cabeças de gado. A criação de gado era essencial nas novas praticas agrícolas. Como não existiam adubos químicos, o estrume dos animais era o fertilizante mais utilizado. Serviam também para o comércio a sua carne, o seu pelo e o seu leite. Alimentavam-se das forragens de nabo, feno, trevo, entre outras culturas. As forragens eram cultivadas essencialmente para aproveitar os solos e para alimentar os animais. Outra inovação foi o cruzamento dos animais reprodutores mais fortes para assim originar cabeças de gado mais resistentes. A introdução da maquinaria na agricultura foi essencial para todo este progresso. Os instrumentos, anteriormente elaborados a partir da madeira, passavam agora a ser feitos de ferro, o que os tornava mais resistentes e mais facilmente manobráveis. Também novas máquinas foram introduzidas como a máquina de debulhar. Como conseguimos perceber, a Revolução Agrícola está inteiramente relacionada com a Revolução Industrial, que abordaremos mais à frente. Toda esta maquinaria existente levava a que o número de mão-de-obra necessário diminuísse, o que resultava no êxodo rural. A população havia aumentado em larga escala e como a mecanização dominava agora o sector agrícola, as pessoas dirigiam-se para as cidades, à procura de trabalho. A Revolução Agrícola levou a um aumento considerável da produção, originando assim um Crescimento Demográfico. Existiam mais produtos agrícolas devido às novas técnicas, logo, existia mais abundância e consequentemente maior poder de compra por parte da população, devido à descida dos preços. Os corpos tornavam-se mais resistentes às doenças e a mortalidade diminuía. Contudo, a natalidade continuava alta, o que causava um crescimento demográfico considerável. Como referimos anteriormente, sem dúvida que esta revolução se apoiou na Revolução Industrial e vice-versa. Explicaremos a mesma no próximo post.
Monarcas e Teóricos Absolutistas
Finalmente, para terminarmos com o tema do Absolutismo Régio, uma de nós prestou-se a realizar um resumido vídeo sobre alguns monarcas e teóricos absolutistas. Esperamos que o mesmo seja útil.
Instrumentos e limitações do Poder Absoluto
Os Instrumentos do Estado Absoluto
Começaremos pelo primeiro ponto apresentado, os instrumentos. O Estado Absoluto necessitava, sem margem para dúvidas, de diversas formas para controlar o poder. Apesar de o poder residir na figura monárquica, eram necessários instrumentos para apoiar o mesmo, senão o caos seria permanente. Em primeiro lugar, existia uma grandiosa Máquina Burocrática. A mesma garantia a aplicação dos éditos e fazia com que todos se submetessem às ordens régias. Além dos pontos apresentados, era uma estrutura fortemente hierarquizada e essencial para controlar o poder em todas as regiões. Em segundo lugar existia toda uma fiscalidade constante e minuciosa. Existiam impostos gerais que garantiam a existência de um Rei exuberante e de uma corte à sua altura, sendo o pagamento dos mesmos fortemente fiscalizados, isto para nada faltar aos monarcas. Em último lugar existia a denominada venalidade dos cargos. Num regime Absolutista, onde nos era apresentada uma sociedade de ordens, a ascensão aos cargos não era realizada face ao nível de instrução possuída. Os oficiais régios apenas ascendiam a estes cargos se fossem indicados pela pessoa que libertasse o mesmo. Teriam ainda de desembolsar uma determinada quantia. Isto numa primeira fase, sendo que, seguidamente, os cargos passaram a ser transmitidos de forma hereditária.
Limitações do Poder Absoluto
Apesar de a soberania residir na figura do monarca, este não poderia controlar tudo como desejava, existindo limitações estabelecidas que o mesmo teria de cumprir. Era estritamente proibido alienar os bens públicos e as leis gerais do reino. O monarca teria ainda de respeitar a ordem de sucessão ao trono, sendo o primogénito, o filho varão, o seu legitimo sucessor (aplicação da denominada Lei Sálica). Nunca o Rei poderia por outro no seu lugar que não o seu filho varão, só se algo acontecesse ao mesmo ou se o monarca não tivesse descendentes. Além das limitações, o soberano detinha um conjunto de deveres. Deveria manter a ordem e exercer a justiça de igual modo para todos. Detinha a função de organizar a defesa do seu país, controlar a economia do mesmo e fazer-se obedecer, por todos os meios. O fim é que interessa. Por último, sendo Rei por vontade de Deus, sendo sagrado, tinha de prestar contas ao mesmo. Por todos estes motivos e outros, os monarcas, como Luís XIV na imagem, consideravam que ser Rei, mais do que um privilégio, era um tremendo fardo.domingo, 5 de dezembro de 2010
O Poder Absoluto
Resposta do rei francês Luis XV às criticas do Parlamento de Paris, na sua sessão de 3 de Março de 1766
O documento acima apresentado é uma confirmação pura e simples do poder absoluto que se vivia no Antigo Regime. Neste, o monarca francês reforça o seu poder perante o Parlamento, minimizando-o perante a sua figura absoluta que tudo decidia, que tudo controlava. A principal característica deste poder absoluto remete-se à centralização de todos os poderes do Estado nas mãos do monarca. Só este controla o poder legislativo, executivo e judicial. Basicamente, controla o Estado em todas as suas funções, não existindo divisão dos poderes. Reforça ainda mais o seu poder ao afirma que só existem tribunais porque permite que assim o seja e que estes nunca se poderão voltar com a sua figura e que todas as leis de que tratam são impostas e verificadas pelo monarca, sendo que só o podem aconselhar e nunca o contrariar se ele persistir com a ideia. Outra importante característica, que tornava toda esta magnificência possível, era a crença de que o poder monárquico era de origem divina, isto é, o rei era o representante de Deus na Terra. Este factor controlava assim os súbditos, sendo que todos os grupos sociais estavam subjugados ao rei, não podendo fazer nada contra a sua pessoa e devendo-lhe respeito e obediência em todos os casos. Mesmo que achassem que o monarca ultrapassara o limite com algumas medidas exageradas, ou pensassem que este não tinha pulso para controlar o país da melhor forma, nada contra este poderiam fazer, sendo punidos severamente e também indo contra Deus. Segundo Bossuet, um dos mais importantes teóricos absolutistas - falaremos dos mesmo mais adiante - este regime possuía quatro características essenciais. Primeiro era absoluto, sendo o monarca o chefe supremo e só este tem o direito de decidir sobre o Estado. Em segunda estância o poder absoluto é sagrado, sendo o sue poder, como referido anteriormente, de origem divina e não podendo assim existir quaisquer atentados contra a sua figura. Em terceiro lugar, o poder é paternal, isto é, o monarca é o pai do povo, deve proteger os oprimidos, zelar pelos interesses dos mesmo e governar com dignidade. Em ultimo lugar, o poder do rei é racional, sendo que Bossuet afirmava que a sabedoria salvava mais Estados do que a força. Estas eram as principais características do poder absoluto.














